Assentados da Paraíba comemoram Dia Estadual de Combate aos agrotóxicos com feira
Em
apenas sete horas de duração, a feira agroecológica que marcou as comemorações
do Dia Estadual de Combate ao uso de agrotóxicos, pela primeira vez, (19 de
março) na Paraíba, conseguiu vender quase dez toneladas de alimentos, na praça
de eventos Ponto de Cem Réis, centro de João Pessoa.
Para
o deputado estadual Frei Anastácio, autor da Lei estadual 9.781/2012, que
instituiu o Dia Estadual de Combate ao uso de agrotóxicos, as comemorações
foram um sucesso. “Tivemos a oportunidade de mostrar a população que já existe
uma boa produção agroecológica na Paraíba e que é possível ampliar essa prática
tanto nos assentamentos, quanto na agricultura familiar”, disse o deputado.
Frei Anastácio diz que evento foi um sucesso
A
feira teve 40 estandes de assentados da reforma agrária, representando a
produção agroecológica de todas as regiões da Paraíba. No
estado atualmente existem 40 feiras agroecológicas, com 16 já certificadas pelo
Ministério da Agricultura. A feira foi organizada pelo Incra e MDA, além de
parceiros.
Os
assentados também ofereceram um café da manhã, com produtos orgânicos, a 500
pessoas durante a abertura da programação. Os visitantes puderam saborear
mamão, banana, melão, suco de acerola, pamonha, canjica, mungunzá, bolo de
mandioca e tapioca. Todos os produtos fazem parte da agricultura produzida com
defensivos naturais.
Programação
cultural
Durante
a programação houve apresentação do grupo de música regional Cabras de Mateus,
e também a participação do poeta da reforma agrária João Muniz, além de grupos
de ciranda e de teatro formados por assentados da reforma agrária. No palco,
montado na praça, várias pessoas que foram vítimas de intoxicação com
agrotóxicos deram depoimento sobre os problemas de saúde que sofreram e como
ficou a vida delas depois da prática da agricultura com defensivos naturais.
Seu
Aluísio Agustinho, de 63 anos, do assentamento Nova Tatiana, em Pedras de Fogo,
litoral da Paraíba, contou que usou agrotóxicos nas lavouras de abacaxi e
mandioca durante 25 anos. Ele disse que foi obrigada a deixar de trabalhar na
agricultura porque desenvolveu doenças cardíacas, devido ao uso de veneno. O
assentado Manuel Guilhermino, de 63 anos, do assentamento Nova Taipu, em São
Miguel de Taipu, na zona da Mata, disse que chegava a sangrar
pelo nariz quando estava aplicando veneno nas lavouras. Ele hoje trabalha com
defensivos naturais e fundou a Associação de Produtos Orgânicos e Apicultores
do Novo Taipu.
Parceiros
Para realizar a programação, o Incra contou com a
parceria do MDA, MST, CPT, Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de João
Pessoa (Cerest-JP), Pólo da Borborema, ASA, Fetraf-PB, Fetag-PB, UFPB, UEPB,
Pastoral da Juventude Rural, Fórum Estadual da Economia Solidária, além de
órgãos públicos estaduais, municipais e federais, a exemplo da Emater, Conab,
Secretarias de Saúde, Educação e de Políticas Públicas para as Mulheres do
Município de João Pessoa, o Mandato do Deputado Estadual Frei Anastácio. Muitos
parceiros também montaram tendas com exemplos exitosos da
agricultura orgânica.
“Cada brasileiro consome anualmente cerca de 5,2 kg
de agrotóxicos e a realização deste evento serviu para despertar a sociedade
paraibana sobre os perigos desta prática na produção dos alimentos. A intenção
do Incra é incentivar a transição da agricultura convencional para a
agricultura orgânica em todos os assentamentos paraibanos”, afirmou o
superintendente do Incra-PB, Cleofas Caju.
Assessoria com Zé Luiz Mineiro

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