A EUCARISTIA É O CORAÇÃO E O ÁPICE DA VIDA DA IGREJA


Artigo de Padre Fabrício Dias
Entre todas as coisas católicas, não há nada tão familiar quanto a missa ("missio": missão, envio). Com suas orações, seus hinos e seus gestos sempiternos, a missa é como um lar para os cristãos. Contudo, em sua maioria, os católicos passam a vida toda sem ver a Eucaristia para além da superfície de preces memorizadas. Poucos vislumbram o "forte drama sobrenatural" de que participam na Santa Missa. O Papa João Paulo II chamou-a de "céu na terra" e explicou que a "liturgia que celebramos na terra é misteriosa participação na liturgia celeste".
A Santa Missa tem uma riqueza de significado tão inesgotável, que isso se expressa nos diversos nomes que lhe são dados: Ceia do Senhor (pois se trata da atualização da Ceia que Jesus fez com seus discípulos na véspera de sua Paixão, e da antecipação da Ceia das bodas do Cordeiro na Jerusalém celeste); Eucaristia (porque é ação de graças a Deus); Fração do Pão (porque esse rito foi utilizado por Jesus quando abençoava e distribuía o pão, por ocasião da Última Ceia); Assembléia eucarística (porque a missa é celebrada na assembléia dos fiéis, expressão visível da Igreja); Memorial da Paixão e da Ressurreição do Senhor (porque torna presente o sacrifício de Cristo na cruz e sua vitória sobre a morte); Santo Sacrifício da Missa (porque o único sacrifício de Cristo supera todos os sacrifícios da Antiga Aliança); santa e divina Liturgia (porque por ela o Céu se faz presente entre nós); Santíssimo Sacramento (porque é o sacramento dos sacramentos); Comunhão (porque por ela nos unimos com Cristo e com os irmãos).
A Missa era algo tão central e tão importante para a vida das primeiras gerações cristãs que as mesmas eram acusadas, pelos pagãos, de praticarem o canibalismo e o "sacrifício humano". Os apologistas cristãos encarregaram-se de rejeitar essas acusações, mostrando-as como boatos sem nenhum fundamento. Contudo, pelas lentes deformadas dos rumores pagãos, vemos qual era o elemento mais indentificável da vida e do culto cristãos: era a Eucaristia, a reapresentação do sacrifício de Jesus, a refeição sacramental em que os cristãos consumiam o corpo e o sangue de Cristo. Era a deturpação desses fatos de fé que gerava as calúnias pagãs contra a Igreja.
Na Igreja primitiva, só os batizados tinham permissão de participar dos sacramentos, e os cristãos eram desencorajados até mesmo de conversarem com não-cristãos a respeito desses mistérios fundamentais. Assim, a imaginação corria solta, alimentada por pequenos fragmentos de fatos: "Isto é o meu corpo... Este é o cálice do meu sangue... Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue...". Os pagãos sabiam que ser cristão era participar de alguns ritos estranhos e secretos.
Ser cristão era ir à missa, o que era verdade desde o primeiro dia da Nova Aliança. Algumas horas depois de ressuscitar dos mortos, Jesus pôs-se à mesa com os dois discípulos de Emaús. "Ele tomou o pão, pronunciou a benção partiu-o e lhes deu. Então os seus olhos se abriram... eles o reconheceram na fração do pão" (Lc 24,30-31.35).
A centralidade da Eucaristia na Igreja primitiva fica evidente na descrição concisa que os Atos dos Apóstolos fazem de seu dia-a-dia: "eles eram assíduos aos ensinamentos dos Apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações" (At 2,42). Que nós, cristãos da contemporaneidade, valorizemos e amemos a Santa Missa como faziam nossos irmãos nas  raízes e origens do Caminho de Jesus!



1 comentários:

Fernanda disse...

BELÍSSIMO ARTIGO

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