LITURGIA DIARIA
Primeira leitura (Romanos
4,1-8)
Sexta-Feira, 14 de Outubro de 2011
28ª Semana Comum
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.
Irmãos, 1 que vantagem diremos ter obtido Abraão, nosso pai segundo a
carne? 2 Pois se Abraão se tornou justo em virtude das obras, está aí seu
motivo de glória... mas não perante Deus! 3 Com efeito, que diz a Escritura?
“Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça”. 4 Ora, para quem
faz um trabalho, o salário não é creditado como um presente gratuito, mas como
uma dívida. 5 Porém, para a pessoa que, em vez de fazer um trabalho, crê
naquele que torna justo o ímpio, a sua fé lhe é creditada como atestado de
justiça. 6 É assim que Davi declara feliz o homem a quem Deus credita a justiça
independentemente das obras: 7 “Felizes aqueles cujas transgressões foram
remidas e cujos pecados foram perdoados; 8 feliz o homem do qual Deus não leva
em conta o pecado”.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Salmo (Salmos 31)
— Vós sois para mim proteção e refúgio, eu canto bem alto a vossa
salvação.
— Vós sois para mim proteção e refúgio, eu canto bem alto a vossa
salvação.
— Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! Feliz
o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há
falsidade!
— Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer.
Disse: “eu irei confessar meu pecado!” E perdoastes, Senhor, minha falta”.
— Regozijai-vos, ó justos, em Deus, e no Senhor exultai de alegria!
Corações retos, cantai jubilosos!
Evangelho (Lucas 12,1-7)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1 milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns
pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai
cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2 Não há nada de
escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a
ser conhecido.
3 Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz
do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será
proclamado sobre os telhados.
4 Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que
matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. 5 Vou mostrar-vos a quem
deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de
lançar-vos no inferno.
Sim, eu vos digo, a este temei. 6 Não se vendem cinco pardais por uma
pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. 7 Até mesmo os
cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais
do que muitos pardais”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Homilia
Devemos sempre nos apoiar na pura bondade de
Deus
Diante do ajuntamento de
milhares de pessoas, com certo exagero de Lucas, Jesus fala primeiro aos
discípulos. Ele aborda dois temas: a hipocrisia e o destemor.
A expressão que mais se destaca
é: “Não temais: valeis mais do que todos os pássaros do mundo”
Neste Evangelho, Jesus quer nos
mostrar que o olhar do Pai onisciente não nos abandona jamais.
Deus nos deixa travar o combate
na medida das nossas forças. Mas, se uma dificuldade nos abate quando estamos
doentes ou desencorajados, é porque nossa natureza é fraca. Então, Ele próprio
faz, como é preciso e como sabe, tudo o que está no Seu poder para que sejamos
socorridos. Confirma-nos secretamente tanto quanto pode, para que tenhamos a
força de suportar nossas dificuldades, pois, na confiança que nos dá, Ele
frustra as dificuldades e, pela visão desta fé, nos desperta para o louvor.
Contudo, se for preciso que esta
ajuda secreta seja explicitada, Ele o faz, mas por necessidade. Os seus
caminhos são de grande sabedoria; prolongam-se quando é preciso e necessário,
mas nunca de qualquer maneira.
“Não tenham medo, pois vocês
valem mais do que muitos passarinhos”. Portanto: confie, espere e tenha fé em
Deus. É desta forma que Ele providencia tudo junto aos seus santos.
Não se inquiete com todo o
restante; deixe nas mãos da Divina Providência o que não pode cumprir por você
mesmo. São agradáveis a Deus a solicitude e o cuidado que, com discernimento,
colocamos nas tarefas que temos a cumprir para conseguirmos concretizá-las da
melhor maneira.
Não são agradáveis a Deus a
ansiedade e a inquietação do espírito. O Senhor quer que nossos limites e
fraquezas encontrem apoio na sua fortaleza e onipotência. Ele quer que tenhamos
confiança, pois sua bondade suprirá a imperfeição dos nossos meios.
Ele não quer que o homem se
atormente com suas próprias limitações humanas; não é preciso nos cansarmos
excessivamente. Quando, de fato, nos esforçamos em dar o melhor de nós, podemos
deixar o resto nas mãos d’Aquele que tem o poder de realizar tudo o que quer.
“Não temais. Até os cabelos da
vossa cabeça estão contados”. Quem nos garante isto é o próprio Jesus. O nosso
amabilíssimo Salvador nos assegura, em várias passagens das Sagradas
Escrituras, o seu cuidado e vigilância contínuos naquilo que nos diz respeito.
Ele próprio nos leva e nos levará sempre em seus braços, no seu coração e nas
suas entranhas.
Tenhamos cuidado em não nos
apoiarmos no poder ou na benevolência dos nossos amigos, nem nos nossos bens ou
no nosso espírito, ciência, forças, bons desejos, orações, nem mesmo na
confiança que pensamos ter em Deus, nem nas mediações humanas, nem em coisa
alguma criada, mas unicamente na misericórdia de Deus.
Isto não quer dizer que não seja
preciso nos valer das coisas a que acabamos de aludir, e que não tenhamos que
pôr da nossa parte tudo o que pudermos a fim de vencer o vício, praticar a
virtude, orientar e levar a bom termo os assuntos que Deus nos confiou, e assim
cumprir com as obrigações que são inerentes ao nosso estado. Mas devemos
renunciar a todo apoio e a toda a confiança que poderíamos encontrar nessas coisas,
e nos apoiar na pura bondade de nosso Senhor. De tal maneira que, da nossa
parte, devemos velar e trabalhar como se nada esperássemos da parte de Deus. No
entanto, não nos devemos apoiar no nosso cuidado e trabalho, como se fizéssemos
alguma coisa, mas esperar tudo unicamente da misericórdia de Deus.
Um outro aspecto que o Mestre
salienta é o da hipocrisia. A hipocrisia é uma prática do farisaísmo a fim de
dominar sob a aparência de santidade e honra. Como discípulos devemos estar
atentos, descartar qualquer hipocrisia e tudo fazer e dizer claramente em nome
da verdade, pois o medo é a outra arma do poder.
Quem nada teme é livre. Nem a
própria morte o intimida. Não se abandona a missão por medo da morte. Devemos
antes temer, sim, a morte interior que consiste na hipocrisia e na cobiça. Deus
não se esquece de seus discípulos e os guarda na vida eterna.
Que a bondade divina nos
comunique sempre a luz da sabedoria para que possamos ver com clareza e
realizar os seus bons desejos com profunda convicção, em nós e nos outros, para
que das suas mãos aceitemos o que nos envia, considerando o que é de maior
importância: a paciência, a humildade, a obediência e a caridade.
Padre Bantu Mendonça

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