O passado sombrio de um paladino da moral
O senador Cássio Cunha Lima
(PSDB-PB) foi enérgico em um discurso nesta quinta-feira (6) ao exigir que o Brasil realize novas eleições com o
objetivo de tirar Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República.
“Houve uma convocação, um
chamamento do vice-presidente da República e nós estamos aqui para concordar
com ele, parcialmente, no sentido de que só será possível encontrar alguém que
unifique o país por meio de novas eleições”, disse o líder tucano no Senado.
Cunha Lima, hoje um dos
principais porta-vozes do impeachment de Dilma Rousseff e conhecido pelas suas
falas inflamadas de combate à corrupção, se sente à vontade para vociferar em
nome da ética e da moralidade sem ser questionado.
Em 2008, o então governador
Cássio Cunha Lima foi cassado por unanimidade pelo TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) por uso indevido de dinheiro público. Seu vice, José Lacerda Neto
(DEM), também foi obrigado pela Justiça a deixar o cargo.
O jornalista Paulo Nogueira, do DCM,
enxerga com estranheza a blindagem de que goza Cunha Lima na mídia.
“Por conta da campanha que faz
contra o governo de Dilma, Cunha Lima tem sido entrevistado com frequência pela
mídia nacional. Mas ninguém toca em seu passado. Livre de explicações, ele
acabou se convertendo em mais uma amostra da blindagem de que gozam tucanos
perante a mídia”, afirma o jornalista.
Embora já reconhecido como Ficha
Suja em 2010, Cunha Lima venceu e concorreu a eleição para senador valendo-se
da decisão do STF de só aplicar a nova Lei da Ficha Limpa a partir das eleições
de 2012. Se a aplicabilidade da lei já estivesse em vigência em 2010, o atual
senador sequer poderia candidatar-se a um cargo eletivo.
Dinheiro voador
Além da ação pela qual teve o seu
mandato cassado, Cunha Lima enfrenta outros graves entraves na Justiça.
Há mais de dois anos a ação
criminal que investiga esquemas de desvios de recursos e lavagem de dinheiro em
sua campanha eleitoral de 2006 está parada aguardando a substituição do juiz
pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber.
O líder do PSDB é réu na Operação
Concord, da Polícia Federal, que apura esquemas de desvios de recursos e
lavagem de dinheiro.
A operação é conhecida por ter
provocado, literalmente, uma chuva de dinheiro na capital paraibana, João
Pessoa. Isso porque para não ser pego em flagrante pela Polícia Federal, um
operador da política local, Olavo Lira, conhecido como Olavinho, teria jogado
R$ 400 mil do alto do edifício Concord.
Ministra pede providências a
Sergio Moro
À frente da Operação Lava Jato, o
juiz federal Sergio Moro também já atuou de forma ativa em outro caso (bastante
conhecido dos paraibanos): o ‘Escândalo do Dinheiro Voador’ ou ‘Caso Concorde’,
em que Cássio Cunha Lima é acusado de distribuição de dinheiro para compra de
votos.
A investigação ainda tramita em
segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal (STF), tendo como relatora a
ministra Rosa Weber.
Recentemente, Rosa Weber pediu
providências ao juiz Sergio Moro para dar celeridade ao processo.
“Atribuo ao Juiz Federal Sergio
Fernando Moro, magistrado instrutor, os poderes previstos no referido
dispositivo, para doravante praticar os atos ali previstos e ordinatórios
quanto ao trâmite deste inquérito”, disse Rosa Weber.
Veja aqui o despacho de Rosa Weber.
Diferentemente da “celeridade”
que pauta a Lava Jato, Moro não dispensou a mesma conduta e o processo contra
Cássio está parado
Emprego para a namorada e supersalário
Em 2013, o senador Cássio foi
denunciado por empregar a namorada e a sogra na prefeitura e na Câmara Municial
de Campina Grande, sua cidade natal. Jackson Azevedo, seu cunhado, também
ganhou um cargo de supervisor da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) na cidade
(relembre aqui).
Derrotado na eleição do ano
passado, quando tentava mais uma vez ser governador do Paraíba,Cássio Cunha Lima confessou, em um debate entre candidatos,
receber um supersalário R$ 52 mil. A remuneração do parlamentar tucano
ultrapassa o teto constitucional brasileiro de R$ 29.462,25, valor que é pago
mensalmente a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Farra da boca livre
“Congresso banca `hábito gourmet´
dos parlamentares”. Foi com esse título que o jornal Estado de S.Paulo
denunciou (relembre aqui) as despesas com bocas-livres patrocinadas
por parlamentares em que eles torram dinheiro público sem dó nem piedade.
O jornal ilustra a matéria com a
reprodução da nota fiscal 221515 do restaurante “Porcão”, de Brasília, o
preferido dos políticos que não se importam com o valor da conta, emitida em
nome do senador Cássio Cunha Lima.
Valor: R$ 7.567,60, ou seja, mais
de dez salários mínimos. Na parte de “discriminação das mercadorias”
encontra-se uma singela informação: “Refeições”. Não diz nem quantas foram
servidas porque isso, certamente, não interessa a ninguém.
A boca-livre com dinheiro público
foi oferecida pelo senador, após uma homenagem a seu pai, o ex-parlamentar e
ex-governador da Paraíba Ronaldo Cunha Lima.
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